Desenvolveram um remédio injetável para reparar o tecido de órgãos danificados

Uma pesquisa desenvolvida por uma equipe de engenheiros biomédicos abre as portas para a cura de órgãos com uma espécie de “tirinha”, algo menor que um selo de cartas.

O tratamento, por exemplo, de um coração com danos por um infarto de miocárdio com células regenerativas ou tecidos, normalmente requer uma intervenção cirúrgica invasiva. Para evitar este tipo de cirurgia de coração aberto, a equipe de investigadores desenvolveu uma técnica que permite injetar com uma pequena seringa a tela reparadora, que são laminas diminutas e finíssimas, tridimensionais, confeccionadas com polímeros biocompatíveis e biodegradáveis que duplicam com exatidão o tecido humano.

reparar órgãos danificados

No caso de um dos dispositivos, chamado de “Angio Chip”, consiste de uma pequena “tira” de tecido coronário que tem os seus próprios vasos sanguíneos e células capazes de manter um ritmo cardíaco constante.

Atualmente, os especialistas estão fazendo experiências com esses tecidos artificiais para encontrar drogas compatíveis e verificar se há efeitos colaterais, mas o objetivo a longo prazo é injetá-los em corpos humanos para reparar órgãos danificados.

Nem sempre é possível realizar uma cirurgia de “coração aberto” em um paciente que sofreu, por exemplo, um ataque cardíaco por causa da sua fragilidade, pois essas intervenções muitas vezes apresentam “mais riscos do que benefícios”.

O “Angio Chip” é o fruto de três anos de trabalho e se ajusta às propriedades mecânicas do tecido do órgão que queremos tratar, neste caso o coração, e memoriza a forma de adaptação.

Quando a tela sai da agulha, explica o especialista, ela se estende como uma “tirinha”, uma venda muito pequena para acoplar-se ao órgão a ser tratado.

O efeito de criar memória está baseado em propriedades físicas, não químicas que favorecem “o processo de acoplamento” da tela, pois não necessita de “injeções adicionais” e não é infetado pelas “condições do organismo”.

Até chegar ao estágio atual, os especialistas criaram anteriormente uma espécie de cultura para que a tela se integrasse com as células cardíacas reais, e após vários dias de crescimento injetaram em ratos e porcos de laboratório.

O dispositivo não somente foi capaz de acoplar-se e adaptar quase ao mesmo tamanho que a tela implantada através de técnicas mais invasivas sem, contudo, comprometer a sobrevivência das células cardíacas no procedimento.

Ficou comprovado que o tecido cardíaco desenvolvido em laboratório funcionava e não havia sido afetado pelo processo de injeção. As células do coração são extremamente sensíveis e, se é possível fazer isso tudo com elas, certamente será possível fazer o mesmo com outros tecidos também.

Os investigadores constataram em seus experimentos com ratos que a injeção de “Angio Chip” pode melhorar a função do órgão depois de um ataque cardíaco e observaram que os ventrículos danificados bombeavam mais sangue que antes de receber a tela.

Embora este tratamento não repare completamente o coração danificado, caso seja implantado em seres humanos “vai melhorar significativamente a qualidade de vida”.

 

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